DO TURISMO ÉTNICO AO AFRO TURISMO, UMA JORNADA ÉPICA

DO TURISMO ÉTNICO AO AFRO TURISMO, UMA JORNADA ÉPICA

Você sabe o que é Afroturismo? Sabe o que são viagens afrocentradas? Senta que lá vem história!

Vamos começar com a Rota da Liberdade, um dos mais antigos projetos de Afroturismo do Brasil?

Rota da Liberdade – Afroturismo na RM Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira, no Estado de São Paulo

Refletindo sobre a jornada que vivenciei desde a criação da Rota da Liberdade em 2004 até a virada de 2020 eu me assustei com tanta coisa linda que aconteceu nestes anos. Lançada em 2006 na cidade de Sorocaba pela Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, a Rota se chamava “Rota do Escravo”, em referência ao projeto mundial da UNESCO , de mesmo nome e que nos orientava a criar “Roteiros de Memória da Diáspora Africana”, através do mapeamento das comunidades diaspóricas e seus lugares de memória. O nome não foi bem recebido (eu não sabia nada sobre marketing e marcas) e assim, depois de um torturante processo judicial (conto esta estória em outro texto, porque é longa e envolve muitos conceitos sobre Escravidão e Liberdade), lá se mudou o nome para “Rota da Liberdade” em 2007.

Com 8 roteiros desenvolvidos em 20 cidades da região, a Rota da Liberdade mostra a influência negra na arquitetura, na gastronomia, religiosidade, arquitetura, música, dança e tudo o que possa estar relacionado a Cultura Negra.

Foi uma explosão de novas oportunidades, a Rota da Liberdade se tornava o primeiro Programa Cultural e Turístico de Mapeamento da Diáspora Africana a ser encampado por uma Secretaria de Estado de Turismo e que vem a se tornar referência nacional e internacional.

Em 2009 a Rota da Liberdade era eleita como 1 dos 10 Melhores Projetos de Geoturismo do Mundo no Desafio National Geographic/Changemakers da Ashoka, onde uma das juradas era ninguém menos que a Prêmio Nobel Wangari Maathay, a primeira mulher africana prêmio Nobel no mundo.

Em 2012 somos convidados a atuar como Consultores da Unesco para o Programa “Rota do Escravo”, já que a Rota da Liberdade estava sendo reconhecido como um “case” de sucesso já que todo o seu processo de construção se deu a partir da experiência de uma mulher negra empresária que criava um produto turístico de integração da Comunidade Negra gerando renda e trabalho a mesma, além é claro da valorização da Cultura Negra no Estado de São Paulo.

Neste momento estamos novamente na jornada como finalista de um Desafio da Ashoka, agora com a Sustentabilidade no Turismo, já somos novamente Top Ten e ao longo do tempo vamos contando para vocês sobre a Jornada do Afroturismo no Brasil.
Vamos?