DIVERSIDADE E INCLUSÃO: DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS E POR QUE ELAS SÃO IMPORTANTES NO AMBIENTE DE TRABALHO

DIVERSIDADE E INCLUSÃO: DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS E POR QUE ELAS SÃO IMPORTANTES NO AMBIENTE DE TRABALHO

Ao contrário do que a maioria das pessoas, pensa diversidade e inclusão não são a mesma coisa, ambas têm origens parecidas mas diferem em seus objetivos finais.

O movimento de Diversidade chegou no Brasil na década de 1990 com as primeiras iniciativas a falar de gênero, raça e etnicidade nas empresas. E seu objetivo é assegurar que o ambiente de trabalho tenha pessoas de diversas origens.

Mas como já percebemos, ter pessoas coloridas andando pelo escritório não é o suficiente para causar o impacto que queremos ver manifestado. Foi então que emergiu o movimento de Inclusão. O movimento de Inclusão por sua vez busca trabalhar o pertencimento de todo o mundo.

Ou seja, além de contratar pessoas diferentes, são desenvolvidos processos para alcançar um ambiente de trabalho em que todos, todas e todes se sintam valorizados e respeitadxs. Vale dizer que quando dizemos todxs, queremos dizer todxs mesmo, inclusive aqueles pertencentes a classes privilegiadas (quem disse que um homem branco de meia idade não quer passar mais tempo com seus filhos ou falar dos seus sentimentos?).

Quando falamos de inclusão não nos limitamos apenas a questões demográficas, como raça e gênero, tratamos também, principalmente no Brasil, de uma pauta bem mais ampla, incluindo outras variáveis que também precisam ser melhor compreendidas. Tais quais: orientação sexual, capacitismo, idade, identificação ideológica e religião.

Inúmeros são os benefícios de contar com um ambiente inclusivo a todas as vozes. Aqui vou listar alguns:

Empregados mais produtivos;

Mais engajados;

Mais inovadores;

Mais criativos;

Mais inovadores;

Menor rotatividade…

E a lógica é a seguinte: sentir-se incluído no ambiente de trabalho gera aquela sensação de pertencimento. O ou A funcionária veste a camisa e isso é engajamento. E engajamento por sua vez, aumenta a produtividade de um time em até 50%! (The science of inclusion: how can we leverage the brains to build smarter teams)

Diversidade e Inclusão são semelhantes em origem mas têm significado e objetivos diferentes. É importante saber exatamente do que estamos tratando para que os próximos passos possam ser bem fundamentados e ainda maiores.

NZINGA MBANDI – RAINHA DO NDONGO E DA MATAMBA (1581/1663)

NZINGA MBANDI – RAINHA DO NDONGO E DA MATAMBA (1581/1663)

Uma das maiores referências femininas africanas de luta e resistência contra o colonialismo no século XVII sem dúvida é a Rainha Nzinga Mbandi. Nascida em 1581, como uma das descendentes da família real do Ndongo, um dos estados vassalos do Reino do Congo, localizado a leste de Luanda entre os rios Cuanza e Lucala, filha do Rei do Ndongo “Ngola Kiluanji” – daí o nome Angola para o país africano, Nzinga ilustra uma das mais importantes páginas da História dos séculos XVI e XVII. Rainha, Guerreira, Diplomata, é sem dúvida o espelho de muitas mulheres negras africanas guerreiras do Brasil.

Nzinga utilizou de todos os meios para manter sua soberania, em busca de coesão dos reinos africanos contra os portugueses casou-se com um Soberano Imbangala ou Jaga (muitos dos integrantes do Quilombo dos Palmares eram da linhagem dos povos Imbagalas ou Jagas). Outra estratégia sua era o conhecimento e a fluência em português e italiano (aprendido com seu confessor o Padre Antonio Cavazzi de Montecucolo).

Sua história atravessa o Atlântico, pois cada vez que a rainha guerreira perdia uma batalha contra os portugueses pela soberania de seu reino, seus soldados capturados eram enviados como escravizados para o Brasil e assim, seu povo manteve vivo a lembrança desta heroína africana.

Tão preservada sua memória ficou, a lembrança de sua argúcia e as formas que enfrentou os portugueses, uma hora com a lança na mão, outra hora em ações diplomáticas, que a fizeram até mesmo adotar um nome português com o qual foi batizada na religião católica: Ana de Sousa.

Tão arguta era que corre uma anedota sobre suas relações com os portugueses: “contam que numa entrevista dela com o governador português, ela chegou com seu séquito e o governador com a intenção de a humilhar não lhe ofereceu uma cadeira para sentar-se, Nzinga chamou uma das integrantes de seu séquito e a fez colocar-se em posição de forma que toda a entrevista se deu com Nzinga sentada sobre a mulher. No final da entrevista, quando já se estava se retirando, o governador perguntou a ela se não levaria a mulher e Nzinga respondeu que deixava a “cadeira” de presente para ele, deixando o governador e todo seu grupo de cara no chão.

Aqui no Brasil, seus soldados transmitiram sua força, contaram sua história e sua lembrança se enraizou aqui no Brasil, tanto que você com certeza já ouviu ou até usa o termo “ginga ou gingado” sem saber que está relacionado com a poderosa Rainha Nzinga (ou Nginga como se grafa aqui no Brasil).

As Congadas do Sudeste Brasileiro, formada em sua maior parte por descendentes dos africanos vindos do Reino do Congo encenam a batalha da Rainha Nzinga contra o Rei do Congo na primazia pela saudação a São Benedito. Vou te contar um segredo: aquilo que eles chamaram de Cultura Popular na realidade era uma forma alegórica dos negros africanos escravizados e seus descendentes transmitirem oralmente fatos e acontecimentos políticos africanos. Houve realmente um enfrentamento da Rainha com o Rei do Congo mas era por soberania em suas terras.

Aqui no Brasil um outro lugar que era basicamente um reflexo do Reino da Rainha Nzinga Mbandi era Palmares, isto mesmo, o Quilombo dos Palmares, onde Zumbi, Ganga Zumbi, Alqualtune, Acotirene, Dandara e todos estes nomes lindos dos guerreiros de Palmares que vc conhece eram contemporâneos da Rainha e provavelmente não foram poucos os guerreiros de Palmares que vieram da Angola, depois de subjugados pelos portugueses nas batalhas contra a Rainha.

Ela se faz presente na memória do povo angolano assim como vive nas lembranças da Diáspora no Brasil, já foi tema de Desfile de Escola de Samba, tema de músicas e está presente nos folguedos populares como o Maracatu.

Por que estou te contando tudo isto? Para te convidar a fazer viagens de Afroturismo e (re)conhecer a presença da nossa Rainha Nzinga Mbandi, numa roda de capoeira, numa roda de samba, no Quilombo dos Palmares ou nas Congadas de Minas e São Paulo.

Vamos lá?

Conheça um pouco da saga de Nzinga Mbandi através desta publicação da Unesco:

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/77/Nzinga_Mbandi_Queen_of_Ndongo_and_Matamba_Portuguese.pdf

Delicie-se com o filme sobre ela produzido pela Semba Produções de Angola, que conta com a interpretação de Lesliana Pereira (Miss Angola 2008) no papel da Soberana do Ndongo e da Matamba:

https://youtu.be/GIWVPOuSYXA

Encante-se com Clara Nunes que conta que os negros faziam saudação a rainha, adivinha quem: https://youtu.be/Vj2bkKjlNe4

Assista ao Desfile da Tom Maior homenageando Angola e é claro, a Rainha Guerreira: https://www.youtube.com/watch?v=_gacqJNrRlc&t=319s&ab_channel=Fam%C3%ADliaSambamor

Por fim, Angola e é claro a Rainha Nzinga Mbandi:

https://youtu.be/_gacqJNrRlc

Escrever me deu fome e aí já fazendo spoiler: o próximo texto será sobre Gastronomia, a influência da culinária africana no Brasil tendo a Rainha e seu reino como tema. Vamos lá?

 

SOCIOCRACIA E UMA NOVA FORMA DE PENSAR

SOCIOCRACIA E UMA NOVA FORMA DE PENSAR

Já ficou bem claro que o mundo está mudando. E as estruturas organizacionais que conhecemos hoje e a forma que lidamos com o poder e com as pessoas dentro das organizações não poderia escapar dessa transfor­­­mação.

O formato de comando e controle que mantém os privilégios de quem está acima da escala hierárquica se mostrou muito eficiente para os tempos de estabilidade econômica, política e tecnológica. Porém, no cenário atual de alta volatilidade, complexidade nos problemas e nas relações, incerteza e ambiguidade por todos os lados, essa forma de gestão tem se mostrado pra lá de obsoleta e um empecilho para as organizações responderem as necessidades e demandas do contexto atual.

E é nesse cenário que novas formas de gestão, de liderar e de trabalhar em grupo estão ganhando força.
Uma delas é a governança dinâmica, mais comumente conhecida como Sociocracia. Ela trata de distribuir o poder para a tomada de decisão entre os “pares” da organização. Ou seja, quem faz o trabalho tem voz ativa na tomada de decisões sobre como o trabalho será realizado.

Novas escolas de liderança também estão emergindo; a liderança facilitadora, liderança serviçal, liderança shakti, dentro das metodologias ágeis, o scrum master… Nelas o líder não cobra ou faz pressão, mas é aquele que olha para frente e apoia o time a avançar; removendo os bloqueios no caminho.
Nessas novas escolas há muito mais espaço para diversidade e inclusão. Seus formatos colocam homens mulheres, brancos e negros, hétero ou homo afetivos no mesmo barco e olhando na mesma direção. Claro que essa não é a solução perfeita para todos os problemas, ainda há muito a ser trabalhado e melhorado, mas já é um começo.

O começo de uma nova forma de pensar para criar a mudança que queremos ver no mundo.